Melhora coordenação na gestão do Zambeze
A Gestão da bacia do Zambeze conta com uma forte coordenação com os países a montante, o que resulta numa operação tranquila da Hidroeléctrica de Cahora Bassa e do fluxo de água para a albufeira. Neste momento há uma grande consciência sobre o assunto por parte dos operadores a montante que muitas vezes não se preocupam com aqueles que estão a jusante.
"No nosso caso, temos um grau de consciência muito grande. Os operadores a montante sentem-se responsáveis e enviam com frequência toda a informação que necessitamos para gerir os nossos empreendimentos a jusante", indicou-nos Gustavo Jessen, chefe do Departamento de Gestão Hidráulica na HCB. Dado o elevado nível de coordenação, a HCB já manifestou interesse em hospedar o órgão de coordenação e gestão do Zambeze, que junta Moçambique, Zimbabwe e Zâmbia, designado ZAMDO (Zambezi Water Resources Managers and Dam Operators).
O órgão integra a Zambeze River Autority (ZRA), Zimbabwe National Water Authority (ZINWA), Zâmbia Electricity Supply Company (ZESCO), Zimbabwe Power Company (ZPC), Administração Regional de Águas (Ara-Zambeze) e a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), cuja função assenta sobre a gestão das águas da bacia do Zambeze e a operação das grandes barragens, nomeadamente de Kariba, Cahora Bassa e Kafue. Esta organização foi criada em 2011 com a designação de Joint Operations Technical Commitee (JOTC). Em 2005 as suas actividades foram interrompidas, tendo sido reatadas em 2009. "A organização esteve parada algum tempo mas vínhamos trabalhando naturalmente pela necessidade de coordenação entre os empreendimentos e para gerir de forma sustentável o Zambeze", indicou Jessen.
Por decisão do Comité Executivo deste órgão, reunido em Abril deste ano, o JOTC passou a denominar-se ZAMDO – Zambezi Water Resources Managers and Dam Operators. Os passos percorridos para o estabelecimento do secretariado em Moçambique podem levar ainda algum tempo porque tem de se trabalhar com os governos, da Zâmbia, Zimbabwe e do nosso país, para além de a HCB ter de preparar as infra-estruturas e equipamentos necessárias para o efeito.
O entendimento que existe é de partilha atempada da informação hidrometeorológica, estrutural e de ambiente hídrico, por forma a acautelar a segurança hidráulico-operacional, estrutural e ambiental dos empreendimentos. As descargas em curso neste momento, segundo Gustavo Jessen, são meramente preventivas na medida em que se pretende criar capacidade de encaixe para a fase crítica das chuvas que decorre de Janeiro a Março. Com efeito, as descargas da barragem de Cahora Bassa poderão atingir um pico de 2900 metros cúbicos por segundo durante o mês de Dezembro contra os actuais 2650 metros cúbicos por segundo, no quadro da gestão hidrológica naquele curso de água acordado no comité de bacia.
Até antes do início das descargas este mês, a HCB estava a libertar apenas 1850 metros cúbicos por segundo, o necessário para a produção de energia. "Em Dezembro o incremento poderá atingir 2900 metros cúbicos por segundo, o que corresponde à abertura parcial de um dos descarregadores. Durante o mês de Novembro, o descarregador será aberto a 60 por cento e em Dezembro entre 70 e 80 por cento e não se esperam grandes impactos a jusante", indicou Jessen. A meta é que até ao final do mês de Dezembro se tenha reduzido a quota na albufeira dos anteriores 323 metros, em Outubro, para 320,8 metros nos finais de Dezembro.