O Potencial da Albufeira

A barragem de Cahora Bassa criou um volume de água doce que constitui um manancial para o desenvolvimento do ecossistema e uma enorme variedade de animais aquáticos, desde os de grande porte, crocodilos e hipopótamos, até ao famoso peixe kapenta (sardinha do Lago Tanganhica). O peixe kapenta, corresponde a uma pescaria industrial com enorme valor económico da região. Paralelamente, existem outras espécies de peixes de importância comercial, como é exemplo o peixe pende.

 

A área de inundação da albufeira de Cahora Bassa apresenta características peculiares em termos de distribuição irregular da massa de água, bastante recortada com inúmeras saliências e reentrâncias. A vastidão das suas reentrâncias caracteriza autênticas baías com um potencial de desenvolvimento do ecossistema aquático, de grande relevância para o uso e aproveitamento para a pesca artesanal, semi-industrial e industrial, recreação, turismo e caça.

Zoneamento da Albufeira

 
 

A Zona fluvial é representada pela bacia Zumbo, onde se localizam os principais tributários da albufeira (rio Zambeze e rio Luangwa). Trata-se de uma zona estreita e bem misturada, com alguma velocidade de corrente que transporta a maior parte da matéria orgânica, detritos vegetais e animais (folhas, troncos, pedaços vegetais) e matéria inorgânica, provenientes dos dois rios que ali são depositados. Os peixes predominantes com valor comercial são os peixes tigre (Hidrocynus vitatus); mulamba (Clarias gariepinus) e shenga (Distichodus shenga).

A Zona de transição compreende as bacias de Messenguezi, Carinde e Mucanha. É mais larga e mais profunda que a zona fluvial, com velocidade da corrente quase indetectável. A água apresenta-se menos turva, comparativamente à zona fluvial. É uma zona muito instável, que depende muito das flutuações do nível da água da albufeira. Predominam nesta zona, as espécies de maior valor económico como os peixes pende/tilapia (Oreochromis mortimeri e Oreochromis niloticus), tigre (Hidrocynus vittatus) e shenga (Distichodus shenga).

A Zona lacustre compreende as bacias de Magoé, Chicoa e Garganta. Esta zona é a mais extensa, mais larga e com maior profundidade, maior tempo de retenção da água e menor concentração de substâncias e nutrientes dissolvidos. Os nutrientes disponíveis determinam a produção primária, o desenvolvimento planctónico e os seres pelágicos já que aqui existem as melhores condições de penetração da luz. Predominam nesta zona as espécies como tsimbo (Cyprinidae cylindrius); pende (Oreochromis mortimeri); mbzio (Mormyrops longirostris) e shenga (Distichodus shenga) e kapenta ou matemba/ussimbo (Limnothrissa miodon), sendo este último explorado em regime intensivo, devido ao seu elevado valor comercial.

Parques Naturais e Reservas Ecológicas

A biodiversidade inclui um vasto leque de sistemas e ambientes terrestres e aquáticos, ao longo de toda a extensão da albufeira de Cahora Bassa. Os principais tipos de floresta incluem miombo, mukwa e teca, enquanto as matas incluem mopane e mahogany, que servem de habitat a diferentes espécies animais terrestres e anfíbios.

Hipopótamos na área de Chitave e os Crocodilos nas Ilhas Manherere (Crocodiles Farm)

A margem sul da albufeira, apresenta-se com um potencial enorme de áreas de reservas, como é o caso da região de Bawa, com destaque para o projecto Tchuma Tchato (a nossa riqueza), tanto como o Kafukudzi Camp. Na margem norte, próximo da Vila do Zumbo, existe o complexo Chawalo Safari.

Kafukudzi Camp nas Margens da Albufeira de Cahora Bassa - Bawa

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