Sábado, 11 de Fevereiro de 2012
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Caracterização da Bacia do Zambeze
Mariana Megre
2008/20/11 19:35
Países da bacia do Zambeze
Área da bacia
1.390.000 km2
Comprimento do rio Zambeze
2.574 km
Principais Tributários
Luanguinga: margem direita (Angola)
Kuando-Utemo: margem direita (Angola-Namíbia-Botswana)
Kafue: margem esquerda (Zambia)
Luangwa-Lusemfua: margem esquerda (Zambia)
Manyame/Panhame: margem direita (Zimbabwe-Moçambique)
Luia-Capoche: margem esquerda (Moçambique)
Revubue: margem esquerda (Moçambique)
Mazoe-Luenha: margem direita (Zimbabwe-Moçambique)
Chire: margem esquerda (Malawi-Moçambique)
Nascente:
Kalene Hill (Zambia) Foz: Chinde-Oceano Índico (Moçambique)
Grandes aproveitamentos hidráulicos:
Um dos aproveitamentos hidráulicos é a barragem e albufeira de Kariba, que tem uma capacidade de armazenamento máxima de 180 Km3 de água, constituindo o 3º maior reservatório artificial do mundo e o 2º em África. Situa-se no troço do médio Zambeze que separa o Zimbabwe da Zâmbia e é gerida pela ZRA, Zambezi River Authority.
O outro grande aproveitamento hidráulico é a barragem e albufeira de Cahora Bassa, também no troço terminal do médio Zambeze, que criou um reservatório com capacidade máxima para 63 Km3 de água, o 12º maior do mundo e o 5º de África.
Por ordem de importância, seguem-se-lhes as barragens de Itezhitezi e Kafue Gorge, no rio Kafue, Lunsemfwa no rio do mesmo nome, e Mulungushi, na Zâmbia, e Manyame, Masvikadei, Sebakwe e Chivero, no Zimbabwe, todas com capacidades de armazenamento superiores a 200 milhões de metros cúbicos. Para além destas, existem ainda mais 24 grandes barragens, mas de menor capacidade, na bacia do Zambeze, das quais 23 são no Zimbabwe e 1 no Malawi.
Locais para outros grandes aproveitamentos hidráulicos foram já identificados, correspondendo alguns deles a obras que se encontram em fase de estudos preliminares ou de viabilidade ou em fase de projecto.
No bloco diagrama, indicam-se os principais aproveitamentos existentes e os previstos para o curso principal do rio Zambeze: Batoka, Devil's Gorge e Mupata Gorge, no troço internacional Zâmbia-Zimbabwe, e M'Panda Uncua, Boroma e Lupata, em território moçambicano.
Estes aproveitamentos a juntar aos existentes representam, nas configurações previstas, uma potência total de 12.087 MW, incluindo também a Central Norte de Cahora Bassa e a potência instalada em Victoria Falls.
Além das grandes barragens referidas, existe um numeroso conjunto de pequenas barragens. A generalidade destas represas, que raramente ultrapassam a capacidade de 100000 m3, destina-se a fins hidroagrícolas e de abastecimento público, situando-se a esmagadora maioria nos territórios zimbabweano e zambiano.
Estima-se que, no Zimbabwe, existam cerca de 11.000 pequenas barragens, das quais 5.820 se situam na bacia do Rio Zambeze, a que corresponde uma capacidade de represamento estimada de cerca de 4.6 milhões de metros cúbicos.
Na Zâmbia, embora não haja ainda um conhecimento exacto do número de pequenas barragens, estima-se que a sua capacidade de represamento totalize cerca de 12 mil milhões de metros cúbicos, significativamente mais elevada do que no Zimbabwe e situada quase exclusivamente também na bacia do Zambeze.
Particularmente, em Moçambique, para além de Cahora Bassa e da Central Sul, já construídas, prevê-se a construção da barragem de M´Panda Uncua, estando em curso os estudos de viabilidade e a elaboração dos anteprojectos.
Foi, no entanto identificado previamente, ainda durante os estudos levados a cabo pela MFPZ (Missão de Fomento e Povoamento do Zambeze) e mais tarde pelo GPZ, um total de 12 locais com potencial hidroenergético e hidroagrícola no curso principal do Zambeze e nos principais afluentes.
Assim, previram-se no Rio Luia, totalizando uma potência a instalar da ordem de 1.076 MW; 3 locais no Rio Revubué, totalizando uma potência a instalar da ordem de 533 MW, e em Nhamalabué, com uma potência a instalar de 1.170 MW.
A totalidade destes aproveitamentos representa cerca de 9.000 MW, ainda inferior ao potencial hidroeléctrico da bacia do Zambeze em território moçambicano.