Domingo, 12 de Fevereiro de 2012
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Devido à reabilitação do APOLO I: Receitas da HCB podem reduzir até 10 por cento
Mariano Quinze
2009/11/08 16:00
A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), maior empreendimento energético de Moçambique, prevê um decréscimo de oito a dez por cento das suas receitas este ano, devido à redução do fornecimento de energia à África do Sul. Esta informação foi revelada, em Chidenguele, distrito de Mandlakazi, província de Gaza, pelo Presidente do Conselho de Administração da HCB, Paulo Muxanga, à margem do V Conselho Coordenador do Ministério da Energia, que ontem terminou naquela parcela do país.
Paulo Muxanga não revelou em que quantidade o fornecimento de energia à África do Sul vai reduzir, tendo explicado que esta situação resulta do facto da subestação de “Apolo” estar em reabilitação, desde o ano passado. Enquanto decorrem as obras, não podem ser transportadas grandes quantidades de energia, como seria de desejar, o que limita a facturação da HCB.
“A produção da HCB está nos mesmos níveis. É provável que haja pequeno decréscimo porque a subestação de “Apolo” tem estado em reabilitação e nós não podemos escoar tanta energia como seria de desejar. Tivemos esse problema no ano passado e, mesmo este ano, a subestação tem tido muitas interrupções”, explicou, acrescentando que “se a África do Sul não consegue receber energia, não podemos facturar”.
A África do Sul é o maior comprador de energia eléctrica da HCB, que consome 1.300 megawatts. Através da subestação de Apolo, que parte da província de Tete até á África do Sul, a HCB distribui energia à zona sul de Moçambique, bem como fornece 150 megawatts deste recurso ao Zimbabwe.
A redução das receitas da HCB será agravada pelo facto do vizinho Zimbabwe, que recebe 200 megawatts, ter uma dívida elevada pelo consumo de energia produzida em Moçambique.
Os valores a serem pagos à HCB pelo Zimbabwe não foram revelados. Porém, Paulo Muxanga considera que a dívida deste país “é significativa”. “O ritmo de pagamento da dívida do Zimbabwe é preocupante. É uma dívida significativa e preocupante, mas todas as semanas eles pagam entre 500 mil e 700 mil dólares e isso conforta-nos um pouco”, afirmou.
Acrescentou que o fornecimento de energia ao Zimbabwe tem sido regular porque existe um acordo e eles têm tentado cumpri-lo, para além de que continuam a consumir muita energia.
Os principais clientes da HCB são a empresa pública Electricidade de Moçambique (EDM), que compra 400 megawatts, Eskom, produtora e distribuidora sul-africana, que consome 1.300 megawatts e a ZESA, produtora e distribuidora de electricidade do Zimbabwe, que beneficia de 200 megawatts, dos quais são distribuídos directamente da linha de distribuição de Tete-Zimbabwe e os restantes 150 via subestação de Apolo. Por outro lado, a HCB fornece até 70 megawatts de energia ao Botswana.