A albufeira de Cahora Bassa foi criada em 1975 e localiza-se no troço terminal do médio Zambeze, com uma capacidade de armazenamento máxima de 65 km3 e volume útil de 52 km3, 270 km de comprimento e 30 km de largura máxima, com uma superfície de inundação de 2.900 km2 ao nível de máxima cheia, cota 329m.
A sua localização a jusante de grandes aglomerados populacionais na Zâmbia e no Zimbabwe e de zonas onde a pressão demográfica, agrícola e industrial é intensa, justifica que sejam considerados cuidados especiais de monitoramento, apropriados para controlo da qualidade de água que serve de habitat aos ecossistemas gerados após o enchimento e que é devolvida aos sistemas aquáticos a jusante e também à preservação das infra-estruturais de retenção e de produção energética.
O monitoramento ambiental da albufeira segue assim os princípios estabelecidos nas Normas de Exploração de Barragens (NEB) e tem em conta as recomendações da ICOLD (International Commission on Large Dams), das agências especializadas da ONU e dos protocolos existentes a nível da SADC (Southern Africa Development Corporation).
O plano de monitoramento da albufeira de Cahora Bassa centra-se na estratégia de avaliar as condições ambientais e ecológicas da albufeira e contribuir para a sua gestão de forma a enquadrar e controlar os problemas ambientais, relacionados com a poluição das águas e a sedimentação em toda a extensão da albufeira (Songo - Zumbo) anualmente.
Objectivos destacáveis:
• Determinar a qualidade de água e a sua tendência;
• Diagnosticar descargas de poluentes;
• Acompanhar a evolução do desempenho dos ecossistemas;
• Difundir alertas com a devida antecedência em caso de necessidade;
• Avaliar a evolução de sedimentos do fundo da albufeira.
Habitualmente, são observados in situ através da sonda multiparamétrica os seguintes parâmetros: temperatura (°C), pH, conductividade eléctrica (μS/cm), turvação, clorofila, oxigénio dissolvido, TSD. Para além dos parâmetros mencionados, também são observados visualmente outros aspectos e características físicas da água, como a floração aquática, coloração e a transparência da água.
As amostras de água recolhidas nas campanhas de amostragem, são enviadas ao Laboratório de Análises Químicas da HCB, para determinação das suas características físico-químicas completas adicionais: dureza, resíduo seco, mineralização (aniões e catiões), para além de indicadores de poluição, gases dissolvidos e índice de agressividade.
As campanhas próximas da barragem e de média distância, têm sido executadas via fluvial com um barco tipo Catamaran. As campanhas ao longo de toda a extensão da albufeira têm sido executadas através de helicóptero e passaram em 2005, a ser realizadas com um Catamaran apropriado com autonomia e condições de longo curso.
A partir de 2004, realiza-se anualmente as campanhas de colheita das amostras de água e de sedimentos do fundo e ao longo das margens, dos principais tributários da albufeira, com a finalidade de efectuar uma avaliação preliminar da taxa de sedimentação e dos níveis de assoreamento. As referidas campanhas têm proporcionado uma percepção da evolução da sedimentação e dos indicadores do nível de erosão, transporte, deposição, bem como a distribuição temporal e espacial dos sedimentos ao longo da extensão da albufeira.
O programa de monitoramento e auditoria ambiental, privilegia a vigilância sobre o desenvolvimento de plantas infestantes aquáticas e foi iniciado em 2000 com o primeiro sobrevoo em avião e sequenciado a partir de 2004, por voos de helicóptero e por barco.
Saliente-se que no período chuvoso, principalmente nos meses de Janeiro a Abril, ocorre regularmente um elevado afluxo de colónias flutuantes de plantas aquáticas até ao paredão da barragem.
De forma a combater esse fluxo de colónias flutuantes, foi montada uma linha de retentores flutuantes que impede a aproximação das colónias à zona de aspiração das tomadas de água, evitando assim, eventuais danos nos circuitos hidráulicos dos grupos geradores e respectivas consequências que daí pudessem advir. Adicionalmente, as plantas são posteriormente removidas com a ajuda de barcos. O regime de ventos, predominantemente alinhado com o eixo da albufeira e no sentido contrário ao escoamento, condiciona fortemente a sua aproximação da barragem.
Como resultado da redução da carga de poluentes por renovação anual da massa de água e por não existirem ainda fontes poluentes significativas, tem havido uma contenção estável das zonas de colonização. A própria elevada profundidade da albufeira, conjugada com margens escarpadas, tem impedido a sua fácil germinação até cerca de 20 km a montante da barragem, excluindo naturalmente algumas enseadas.