Em Março de 1956 realiza-se a primeira visita de engenharia aos rápidos de Cahora Bassa. A configuração topográfica do vale conferia ao local adequadas características para instalação de uma estrutura hidráulica de represamento do rio com fins hidroenergéticos, dando assim seguimento às ideias avançadas no início do Século 20 pelo cientista português Gago Coutinho quando realizou o primeiro levantamento cartográfico do vale do Zambeze entre Tete e o Zumbo.
Um ano mais tarde era criada a Missão de Fomento e Povoamento do Zambeze MFPZ com o objectivo de proceder ao reconhecimento sistemático dos recursos da bacia do Zambeze, organizar os planos para o seu aproveitamento e desenvolvimento e elaborar os projectos necessários.
Entre 1958 e 1961, com a colaboração da HP, Hidrotécnica Portuguesa, são desenvolvidos os estudos preliminares e de viabilidade e é apresentado o Esquema e Plano Gerais e os anteprojectos sumários das obras e do planeamento dos aproveitamentos de maior interesse para a região do Zambeze. Com a criação do GTZ, Grupo de Trabalho para o Zambeze, é dado o passo em frente na elaboração do projecto e na decisão de construir o empreendimento.
Em Dezembro de 1966 é contratada a HP para elaborar o projecto do aproveitamento hidroeléctrico de Cahora Bassa, tendo o contrato de adjudicação da construção sido firmado entre o Estado Português e o consórcio ZAMCO, Zambeze Consórcio Hidroeléctrico Lda., em Setembro de 1969. Nesse mesmo mês, é assinado com a ESKOM o contrato de fornecimento de energia à África do Sul.
Em Fevereiro de 1970 é criado o GPZ, Gabinete de Desenvolvimento do Plano do Zambeze, para o qual são transferidas as competências e atribuições da MFPZ e do GTZ.
Em Março de 1972 é adjudicada a construção das linhas de transporte de energia e em Maio deste mesmo ano está concluído o desvio provisório do rio que permite iniciar a escavação da fundação e a construção da barragem.
O enchimento da albufeira teve início em 5 de Dezembro de 1974 e ficou concluído até à cota de exploração normal NPA (326 m) em Setembro de 1976, tendo atingido cotas superiores somente nas cheias de Março de 1978 (327.74 m) e de Abril de 2001 (328.18 m). A cota de máxima cheia NMC é 329 m.
As linhas de transporte de energia HVDC para a África do Sul, numa extensão de 1400 Km, ficam concluídas em Janeiro de 1974, e os ensaios de geração, de conversão e de transmissão são feitos em 3 escalões que entram em exploração comercial em 26 de Março de 1977, o primeiro escalão, em 16 de Abril de 1978, o segundo escalão, e em 22 de Junho de 1979, o terceiro e último escalão.
A barragem foi construída com betão convencional, constituído por agregados graníticos, resultantes da britagem da rocha retirada das escavações da fundação e dos túneis, e cimento produzido na cimenteira do Dondo-Beira e, em menor quantidade, cimento importado do Zimbabwe.
O volume total de material escavado foi da ordem de 1.500.000 m3, dos quais cerca de 200,000 para a fundação da barragem e 1.300.000 para a abertura da central, chaminés de equilíbrio, sala de transformadores, túneis de acesso e galerias de condução.
Foram empregues cerca de 600.000 m3 de betão, dos quais 450.000 para a construção da barragem e os restantes para a construção das estruturas das obras subterrâneas.
O comprimento total de túneis, galerias e cavernas escavado ultrapassa os 2,5 kms.
A caverna da central, que alberga os 5 geradores de 415 MW, os serviços auxiliares e os sistemas de operação e de refrigeração, tem 217m de comprimento por 29m de largura e 57m de altura.
As duas chaminés de equilíbrio têm comprimentos, respectivamente, de 242 m e de 342 m, por 15 m de largura e 18 m de altura.
Os estudos foram efectuados pelos departamentos técnicos da MFPZ e do seu sucessor GPZ, com colaboração de outras entidades, públicas e privadas, entre empresas de estudo e projecto, universidades e consultores independentes.
O Projectista do empreendimento foi a HP - Hidrotécnica Portuguesa, Lisboa.
Endereço: Edifício HP, Rua da Guiné, Prior Velho, 2685 Sacavém, Telefone +351-219424748, Fax +351-219418665
O Construtor foi a ZAMCO - Zambeze Consórcio Hidroeléctrico, Lda., o qual
compreendia 15 membros associados em grupos especializados por obra:
CEW, para obras de engenharia civil, compreendendo a CCI (França), líder do grupo que integrou a Hochtlef AG (Alemanha); a LTA (África do Sul); e a Shaft Sinkers (Pty) Ltd. (África do Sul);
GAE, para equipamento gerador eléctrico;
TSE, para as subestações conversoras;
TL, para as linhas de transmissão de energia.
Para muitos trabalhos, este consórcio contratou os serviços de empresas locais, regionais e nacionais.